Equipe Mapfry
em
Jan 12, 2023
Divisão de territórios
Era uma cidade de primeira… ao engatar a segunda marcha, ela já tinha terminado

Tem lugares assim, pequenos, compactos, quase indivisíveis.

Você atravessa de ponta a ponta em minutos, tudo funciona como um organismo único, mas nem todo território é assim.

Existem cidades tão grandes que já não são uma cidade só, são várias, sobrepostas.

Metrópoles, megalópoles são sistemas vivos, complexos, cheios de conexões.

E é nesse momento que surge uma necessidade inevitável:

Como dividir as cidades em blocos menores?

De forma direta, cidades podem ser divididas em diferentes unidades, dependendo do objetivo da análise:

  1. Bairros → identidade cultural e social
  2. Distritos → divisão administrativa oficial
  3. Regiões administrativas → planejamento urbano e gestão pública
  4. Setores censitários → análise estatística (dados populacionais, renda, etc.)
  5. Zonas urbanas e rurais → organização macro do território

Ou seja, não existe uma única forma “correta” de dividir uma cidade.

Existe a forma mais útil, dependendo da pergunta que você quer responder.

Divisões municipais

Se olharmos pelo ponto de vista mais estruturado, um município costuma seguir uma lógica mais ou menos assim:

  • Zona urbana e zona rural
  • Distritos administrativos
  • Bairros (formais ou informais)
  • Setores censitários

Cada camada tem uma função.

  • algumas ajudam a governar
  • outras ajudam a medir
  • poucas ajudam, de fato, a entender o comportamento real das pessoas

E aqui começa a ficar interessante.

Tabela comparativa das divisões

Tipo de divisão Quem define Para que serve
Bairro População / cultura Identidade local
Distrito Prefeitura Gestão administrativa
Setor censitário IBGE Análise estatística
Região administrativa Governo Planejamento urbano
Tabela não disponível nesta resolução

Essa tabela revela algo importante: cada divisão nasce com um propósito diferente.

E usar a divisão errada para o problema errado, leva a decisões erradas.

Corte e recorte

Agora pensa em algo aparentemente distante disso tudo: cortes de carne.

No Brasil, o corte respeita a anatomia do animal, aspartes são mantidas coesas, preservando sua estrutura natural.

Já no padrão americano, o corte é mais linear, ele atravessa partes, reorganiza o todo com outra lógica.

Nenhum está errado, são apenas formas diferentes de interpretar o mesmo elemento.

Com o território, acontece exatamente a mesma coisa.

No Brasil, muitos estados seguem fronteiras naturais, rios, cadeias de montanhas.

Nos Estados Unidos, o mapa parece desenhado com régua. Linhas retas, divisões artificiais, mas extremamente funcionais.

O território é o mesmo, oque muda é o critério.

Divisão geográfica vs divisão administrativa

Aqui existe uma distinção que parece sutil, mas muda completamente a análise:

  • Divisão geográfica - baseada em características naturais, sociais ou econômicas do território
  • Divisão administrativa - definida por governos para organizar a gestão pública

Na prática uma ajuda a governar, enquanto a outra ajuda a entender, nem sempre as duas coisas coincidem.

Começando pelo básico e complicando rápido

Quando começamos a analisar uma cidade, a divisão mais clássica é:

Centro e periferia

Funciona bem até certo ponto.

Mas cidades maiores rapidamente desenvolvem múltiplas centralidades:

  • centros comerciais populares
  • centros empresariais
  • polos industriais
  • hubs logísticos
  • bairros criativos
  • regiões de transição

E, de repente, aquele modelo simples já não explica mais nada.

Você precisa decompor o território.

Entender as partes e, principalmente, como elas se relacionam porque o valor não está só nos blocos isolados, está nas conexões entre eles.

São paulo, São Paulo

Durante a pandemia, um recorte específico revelou isso com muita clareza.

Ao analisar os bairros de São Paulo a partir do perfil dos trabalhadores, surgiu uma divisão invisível:

  • regiões dependentes de deslocamento diário
  • regiões com alta presença de profissionais que podiam trabalhar remotamente

A chamada classe criativa.

O resultado?

Mesmo dentro da mesma cidade, surgiram dinâmicas completamente diferentes de:

  • consumo
  • mobilidade
  • valorização imobiliária
  • potencial de crescimento

Tudo isso sem que nenhuma fronteira oficial tivesse mudado.

O problema das divisões tradicionais

Aqui está o ponto que quase ninguém discute.

A maioria das divisões territoriais foi criada para:

  • administração
  • estatística
  • organização política

Mas não para responder perguntas como:

  • onde abrir uma nova loja?
  • qual região tem maior potencial de consumo?
  • onde existe risco de canibalização?

Por exemplo:

Setores censitários são ótimos para medir, mas nem sempre são bons para entender.

Porque eles não respeitam, necessariamente:

  • fluxos reais
  • centralidades urbanas
  • comportamento das pessoas

Então como dividir melhor?

Essa é a pergunta que muda o jogo.

Dividir melhor um território significa:

  • usar unidades comparáveis
  • respeitar a dinâmica urbana
  • capturar padrões reais, não apenas administrativos

É aqui que entram abordagens mais modernas, como:

  • análise de centralidade
  • leitura de fluxos
  • uso de grades espaciais mais consistentes (como hexágonos)

Porque, no fundo não basta dividir o mapa.

É preciso dividir de um jeito que faça sentido para a decisão.

Depois do recorte vem a pergunta difícil

Você encontrou um segmento interessante, mas agora vem a parte que realmente importa:

  • qual o tamanho disso?
  • quantas pessoas existem ali?
  • qual o potencial de consumo?
  • qual a densidade competitiva?

Identificar um recorte é só metade do trabalho, a outra metade é entender se ele sustenta uma decisão real.

No fim é sempre sobre evolução

O território não é estático.

As cidades mudam, as pessoas mudam, o comportamento muda:

  • O que hoje é periferia, amanhã pode ser centralidade.
  • O que hoje parece irrelevante, amanhã pode ser o novo eixo de crescimento.

Por isso, segmentar bem não é um exercício pontual, é um processo contínuo.

E talvez a pergunta mais importante não seja:

“Como as cidades são divididas?”

Mas,

"Como posso entender uma cidade a partir de suas divisões?"

Existem inúmeras abordagens possíveis e tratamos delas em outros artigos:

O que são nichos de mercado?

O conceito de identificação de necessidades ainda não plenamente atendidas.

Um nicho para chamar de seu

Técnicas para identificar nichos

Recortando o mercado

Depois de encontrar um bom nicho, é hora de medir seu tamanho.

Comportamento de Consumo

Os nichos mentais, formas de perceber a realidade que moldam novas preferências.

Evoluindo com a segmentação

Como usar a técnica de nichos mesmo em mercados que não são nichos.