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Conte a história dos lugares

O maior motivo para um estudo de Geomarketing falhar em sua intenção não é falta de dados, é o excesso de dados mal contextualizados

Quem já apresentou uma análise sabe: você chega com mapas lindos, camadas de informações, planilhas robustas, mas a sala não se mexe.

O problema não é a evidência, é a falta de enredo.

Dados por si só raramente convencem, narrativas sim.

É por isso que defendemos que um bom estudo “conta a história dos lugares”.

Nosso papel não é só mostrar quantas pessoas moram num bairro ou qual é o ticket médio da região.

Nosso papel é construir uma narrativa que faça o negócio entender, sem dúvidas, por que aquele ponto, aquela cidade, aquele território é o caminho certo.

Despejar dados não funciona

Um mapa cheio de camadas é como um dashboard cheio de gráficos, ele informa, mas não persuade.

Executivos não precisam de mais números, precisam de clareza.

E clareza vem quando os dados deixam de ser apenas evidência e passam a ser argumento.

Ou seja, não é sobre o que os dados mostram, mas que decisão eles tornam inevitável.

Ferramentas que ajudam a estruturar narrativas

Para que dados virem histórias, precisamos de estrutura.

Algumas técnicas clássicas de consultoria funcionam muito bem no Geomarketing:

Árvore de questões para quebrar o problema em partes

  • Vale a pena abrir uma loja nesta cidade?
  • Pode se desdobrar em renda, fluxo, concorrência e acessibilidade.
  • Cada ramo da árvore indica que dado precisa entrar.

Princípio MECE (Mutuamente Exclusivo, Coletivamente Exaustivo)

  • Em outras palavras, sem sobreposição de argumentos e sem buracos
  • Isso evita redundância e garante que o raciocínio seja completo.


Com esses frameworks, cada número vira parte de um enredo lógico, e não um slide solto.

Tipo de Arranjo Familiar Necessidades imediatas Necessidades subsequentes
Casais sem filhos, dupla renda Lazer, conforto, pets, viagens, upgrade de moradia Casa própria, renda passiva, filhos (talvez)
Pessoas sozinhas em áreas centrais Conveniência, mobilidade, saúde mental, segurança Crescimento profissional, viagens, relacionamentos
Famílias com crianças pequenas Crédito, plano de saúde, moradia com infraestrutura Trabalho remoto, empreendedorismo
Lares envelhecidos Serviços domiciliares, adaptação residencial, previdência Redes de suporte, comunidades, turismo
Arranjo:
Casais sem filhos, dupla renda
Imediatas:
Lazer, conforto, pets, viagens, upgrade de moradia
Subsequentes:
Casa própria, renda passiva, filhos (talvez)
Arranjo:
Pessoas sozinhas em áreas centrais
Imediatas:
Conveniência, mobilidade, saúde mental, segurança
Subsequentes:
Crescimento profissional, viagens, relacionamentos
Arranjo:
Famílias com crianças pequenas
Imediatas:
Crédito, plano de saúde, moradia com infraestrutura
Subsequentes:
Trabalho remoto, empreendedorismo
Arranjo:
Lares envelhecidos
Imediatas:
Serviços domiciliares, adaptação residencial, previdência
Subsequentes:
Redes de suporte, comunidades, turismo
Tabela não disponível nesta resolução

Ligando dados a valor: o tamanho da oportunidade

Nenhum investidor ou diretor quer só saber que “há fluxo de pessoas”.

Ele quer entender: quanto isso pode gerar de receita?

É aqui que entra a quantificação da oportunidade.

  • De cima para baixo: começamos pelo potencial total de consumo de um município ou segmento.

  • De baixo para cima: somamos domicílos por quarteirão nas imediações das lojas.

Quando esses dois caminhos chegam em números próximos, a estimativa deixa de ser chute e passa a ser narrativa defensável.

Antecipando objeções: transformar contra-argumentos em prova

Uma boa história não espera a crítica, já a incorpora.

  • O financeiro vai perguntar de custos? Mostre o CAPEX e o retorno esperado.

  • O comercial vai duvidar das estimativas? Mostre concorrentes.

  • O time de operações vai se preocupar com prazos? Mostre fases de implantação, comece pequeno.

Assim, a objeção deixa de ser pedra no caminho e vira reforço da narrativa.

Como amarrar a narrativa

No fim, a apresentação de Geomarketing não deve ser um relatório cronológico, mas um enredo claro:

  1. Problema: um dado forte que define a dor

  2. Argumento: a árvore de questões que leva ao raciocínio

  3. Impacto: o tamanho da oportunidade, traduzido em valor

  4. Caminho: próximos passos, o que precisa ser feito

É isso que transforma “dados espaciais” em histórias que convencem.

No próximo estudo que você apresentar, tente o exercício:

Em vez de dez mapas, descreva três frases o que aquele dado revela, qual hipótese sugere e qual impacto pode gerar.

Você vai perceber que dados param de ser números soltos e começam a ser histórias.

Afinal, contar a história dos lugares é muito mais poderoso do que apenas mostrar onde eles estão.

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